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fala e desvio de norma

25/07/2011

Procurei muito sobre este tema também, mas achei ele meio subjetivo, pois não tem matérias que trata especificamente sobre o assunto.

Na verdade coloquei um artigo feito Rosiane Socorro Figueiredo Ferreira que fala  mais ou menos sobre o tema.

O objetivo deste poste é trazer você até ele e quem sabe você saiba sobre o assunto e coloque um comentário. Pode ser de alguma apostila que comprou, ou mesmo indicar um link sobre o assunto. O que espero é que você me ajude a tornar o tema completo e atualizado para que possamos democratizar esta informação e todos que o acessarem possam se preparar bem sobre o tema e passar em algum concurso almejado. Então aguardo sua ajuda.

Abraços e obrigado.

Desvios Linguísticos X Norma-Padrão

ROSIANE SOCORRO FIGUEIREDO FERREIRA

RESUMO

O objetivo deste artigo é proporcionar aos acadêmicos do curso de letras, conhecimento sobre os desvios linguísticos e norma padrão, do “certo e errado” na língua portuguesa brasileira, segundo a visão do autor Marcos Bagno em seus livros “Português ou Brasileiro? A Norma Oculta e Nada na Língua é Por Acaso”, os quais serviram de embasamento a este artigo.

Palavras-chave: Conhecimento. Desvios Linguísticos. Norma Padrão. Língua Portuguesa.

RESUMEN

Para proporcionar al académico del curso de letras, el conocimiento en los linguísticos que desviaban líneas y estándar de la norma, de la “cierta e incurrió en una equivocación” en la lengua portuguéa brasileña, según la visión del autor Marcos Bagno en sus libros “portugueses o brasileño? “La norma y las nadadas ocultas en la lengua está por casualidad”, que había servido del sótano a este artículo.

Palabras-clave: El conocimiento. Líneas de desvío de Linguísticos. Estándar de la norma. Lengua Portuguéa.

INTRODUÇÃO

O presente artigo, cujo tema é, “Desvios Linguísticos x Norma-Padrão”, a priori analisará o desvio linguístico da dita “norma-padrão”, que nós, erroneamente, o denominamos de “erro”, e que é comum na escrita dos aprendizes da variante culta da língua materna. E que em nosso português brasileiro é tratado como uma praga que precisa ser eliminada, mas na verdade elas são importantes medidores no processo de assimilação da escrita culta do falante nativo. Estes medidores nos expõem as tendências das transformações que ocorrem naturalmente na língua, e podemos também observar as decadências das gramáticas tradicionais que não se adéquam a certas construções que no passado era inaceitável e hoje são muito frequentes. Mas, como é possível detectar algum tipo de padrão nestes desvios? Será que existe algum tipo de vício linguístico entre os jovens? Será que existe algum desvio típico de um grupo de redatores? Incógnitas como essas, motivam o presente artigo e se baseia na concepção de que estes estudos são de natureza empírica, voltados para a noção de que a língua funciona como um instrumento probabilístico, onde podemos observar e prever novas tendências de mudanças na fala e na escrita, como por exemplo, o “vosmicê” muito utilizado na época do Brasil – Colônia e hoje se usa o “você” e em alguns casos o “ocê”.

1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Renomados autores como Marcos Bagno, Gilles Gagné, Michael Stubbs e outros teem se dedicado à discussão e ao estudo dos desvios linguísticos, isto é, do preconceito linguístico e da necessidade de uma revisão crítica da Norma-Padrão (NP), para que a mesma, na condição de referência para determinados usos da língua (mais monitorados e formais), se aproxime mais da realidade linguística culta falada e escrita hoje no Brasil.

O mito de que, “o domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”, esbarra em sérias questões sociais. É comum encontrar pessoas até bem intencionadas dizendo que a NP conservadora, tradicional, literária, clássica é que tem de ser ensinada nas escolas, porque ela é “um instrumento de ascensão social”.

De acordo com Bagno (2003, p. 69), “se o domínio da norma padrão fosse realmente um instrumento de ascensão social, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social, econômica e política do país”.

Observa-se que, de algum modo, toda pessoa já sofreu algum tipo de discriminação ou censura por causa de expressões que usou, ou, pelo menos, já presenciou cenas explícitas de preconceito linguístico, que, sob o pretexto da defesa da língua portuguesa, têm a finalidade de calar a boca dos que não querem aderir ao coro da elite.

A linguística diz que todo mundo é capaz de falar bem adequadamente a língua que fala que não existe língua ou dialeto errado do ponto de vista da gramática pela qual se organizam.

2. NASCIMENTO DA GRAMÁTICA

Durante muito tempo, os estudos dedicados à linguagem foram concentrados exclusivamente na língua literária, nas opções de uso feitas pelos escritores do passado. Muito preocupados em preservar na maior “pureza” possível, a língua grega e para alcançar seu objetivo, os estudiosos da literatura clássica da Grécia, os chamados filósofos resolveram escrever as regras gramaticais utilizadas pelos autores clássicos, para que os mesmos servissem de modelo para todos aqueles que quisessem escrever obras literárias em grego. Assim nasceu a gramática e significa “a arte de escrever”. Hoje, esse campo de estudo recebe o nome de Gramática Tradicional.

3. FENÔMENOS LINGUÍSTICOS

Segundo Bagno (2009 apud LYONS 1968, p. 9),

‘a abordagem dos fenômenos linguísticos’ proposta pelos gramáticos alexandrinos incorreu no que ele chama de ‘dois equívocos fatais’: o primeiro, na separação rígida entre língua escrita e língua falada; o segundo, na forma de encarar a mudança das línguas. ‘Simplesmente mudança, e não corrupção, ruína, ou decadência, como acreditavam, e muitos ainda hoje acreditam’.

Para Lyons, “esses dois equívocos se uniram para formar o “erro clássico” no estudo da linguagem”. Erro esse que durante muito tempo se eternizou. A Gramática Tradicional se dedicou exclusivamente à língua escrita, deixando de lado a língua falada. Desprezaram todo o uso oral das línguas se concentrando apenas no uso feito por poucas pessoas, as que sabiam ler e escrever. Atitude essa, que corresponde perfeitamente ao tipo de sociedade daquela época, em que apenas um número reduzidíssimo de pessoas, que pertenciam à classe que tinha poder econômico e político, e tinha o poder de dizer o que era bom e certo em todos os aspectos da vida social, tinham o domínio da cultura letrada. Ao longo do tempo, a gramática começou a ser usada como um código de leis começou a medir todo o uso oral ou escrito de uma língua. Foi impondo seu domínio, criando um império de ideias, noções e preconceitos sobre: o que é língua e o que não é língua. Até hoje persiste quase inalterado no senso comum. Por isso o pensamento errôneo das pessoas é o que não está na gramática, não é correto, e se não é correto precisa ser corrigido. Por conseqüência disso, a gramática tradicional passou a ser usada para regular todo e qualquer uso linguístico. Porem, ela não tem bases científicas consistentes, mas nem por isso se deve descartá-la totalmente, pois nela se encontra a atividade intelectual de muitas gerações de estudiosos. Entretanto é preciso deixar de vê-la como uma doutrina “sagrada” e “infalível”, e voltar os estudos gramaticais ao seu lugar de origem, o da investigação do fenômeno da linguagem. “Empreender o estudo da gramática das línguas dentro de uma perspectiva científica, de acordo com os conceitos modernos de ciência”. Mas, para que isso ocorra, é preciso parar de usar e abusar da Gramática Tradicional, como se ela fosse única tábua de salvação passível no meio do aparente “caos” da língua de todos os dias.

4. DA GRAMÁTICA TRADICIONAL À LINGUÍSTICA

Para explicar cientificamente os fenômenos da língua, existe a ciência da linguagem, que se chama linguística. Esta ciência atribuiu à língua falada, a importância que sempre lhe tinha sido negada durante o império da Gramática Tradicional. A verdadeira língua natural, aquela que cada pessoa aprende com seus pais, grupos sociais, sua tribo e outros, é a língua falada, a língua viva, que está em constante transformação. Hoje não é mais possível desconsiderar todos os progressos científicos da linguística e continuar ensinando de acordo com os preceitos e preconceitos da milenar Gramática Tradicional. A velha dimensão entre “certo” e “errado” tem de ser guardada nos arquivos da história. Pois, os velhos conceitos de “certo” e “errado” refletem esquemas sociais de autoritarismo e intolerância, não mais admissíveis nos dias de hoje.

5. NOÇÃO FOLCLÓRICA DO ERRO

Não existe erro em língua, existem formas de uso da língua diferentes daquelas que a tradição gramatical impõe. Entretanto, quando analisadas com critério, essas formas diferentes revelam-se lógicas e coerentes. “Na língua, nada é por acaso: tudo tem uma explicação. Ninguém fala “errado” porque é burro ou preguiçoso: as pessoas falam diferentes porque empregam regras gramaticais diferentes”, próprias da variedade de língua que é a delas. Foram os fundadores da disciplina gramatical e seus seguidores que plantaram as sementes do
preconceito linguístico, que sacralizou na cultura ocidental o mito de que existe “erro” na língua principalmente na falada.

6. NORMA PADRÃO

Assim, para designar o modelo ideal de língua “certa”, muitos linguístas têm proposto o termo norma padrão. Que serve muito bem para nomear algo que está fora e acima de atividade linguística dos falantes. A NP está de maneira certa, ligada à escola, ao ensino formal, ela tem o poder de influência praticamente nulo sobre os falantes das variedades mais estigmatizadas. Por mais que os defensores da NP tradicional recusem esta verdade, não são as gramáticas normativas que definem o que é “certo” ou “errado” na língua, o que é “aceito” ou “rejeitado” pelos falantes. Enquanto houver gente falando uma língua, essa língua vai sofrer variação e, consequentemente, vai sofrer mudança.

De acordo com Bagno (2009 apud CRYSTAL 1987, p. 328): “As línguas estão sempre num estado de fluidez. A mudança afeta o modo como às pessoas falam de forma tão inevitável, quanto afeta qualquer outra área da vida humana!”.

Desta forma, somente se a sociedade parasse é que a língua ficaria parada. Entretanto, nas relações entre língua e poder, o que realmente pesa é o prestígio social do falante, ou a falta deste, e que esse critério, a maioria das vezes, prevalece sobre os elementos presentes em seu modo de falar, elementos estes estritamente lingüísticos. Fica claro que o conceito de “erro”, se baseia numa avaliação negativa, precisamente fundamentada no valor social atribuído ao falante e critérios e preconceitos socioeconômicos e culturais. Entretanto, quando uma nova forma linguística se agrupa à atividade linguística dos falantes prestigiados, ela deixa de ser considerada como um “erro”. Não existe, do ponto de vista linguístico, diferença funcional.

Porém, do ponto de vista social, a tendência à regularização das formas irregulares, muito antiga na língua, é negativamente avaliada e rotulada de “erro”. Entretanto, torna-se um problema social ainda mais grave a censura quando passa a ser automaticamente aplicado o rótulo de erro a todas as demais características psicológicas e físicas, bem como, a todos os outros comportamentos sociais do falante que se serve da forma linguística desprestigiada.

7. REALIDADE HETEROGÊNEA DAS LÍNGUAS

A língua, ao contrário da NP, que é um produto homogêneo, é na concepção dos sociolinguistas, intrinsecamente heterogênea, variável, múltipla, instável. Está sempre em desconstrução e reconstrução. Não está pronta e acabada. É um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. É uma atividade social, empreendido por todos os falantes. A variação e a mudança linguísticas é que são o “estado natural” das línguas. Portanto, falar da variação linguística como um problema, não tem sentido algum. Considerar que existe uma língua perfeita, correta, bem acabada, fixada em bases sólidas, e que todas as manifestações orais ou escritas que se distanciem dessa língua ideal são ervas daninhas que precisam ser arrancadas, é que se constitui um verdadeiro problema.

8. VARIEDADES LINGUÍSTICAS

Todas as línguas apresentam variantes. As línguas antigas também tinham variações. O português provêm de uma variedade do latim, o chamado latim vulgar, diferente do latim culto. Portanto, se o português provêm do latim vulgar, poder-se-ia afirmar que ele está todo errado. As variantes não são feias ou bonitas, erradas ou certas, deselegantes ou elegantes.
Segundo Fiorin (2002, p. 113), “são simplesmente diferentes… A variação é inerente às línguas”.

Não são as variedades linguísticas que se constituem “desvios” ou “distorções” de uma língua homogênea e estável. A construção de uma NP, de um modelo idealizado de língua é que representa um controle dos processos essenciais de variação e mudança, um refreamento artificial das forças que levam a língua a variar e a mudar.

Língua e sociedade são insolúveis, estão ligadas, misturadas uma influencia a outra. O estudo da língua e da sociedade em que essa língua é falada deve ser simultâneo. Desse modo, o que temos nas sociedades complexas e letradas é uma realidade linguística composta de dois pólos: a variação linguística, ou seja, a língua em seu estado constante de transformação, de importância, de instabilidade e a norma-padrão, produto cultural, modelo artificial de língua, criado para tentar “neutralizar” os efeitos da variação, para servir de padrão para os comportamentos linguísticos considerados adequados, corretos e convenientes.

8.1. VERNÁCULO

Cada grupo social tem o seu vernáculo, o seu estilo, que representa a fala mais espontânea, menos monitorada na variedade linguística, próprio dessa comunidade. Todas as mudanças linguísticas ocorrem por ação dos próprios falantes da língua e essas mudanças na língua se devem ao conhecimento poderoso que os falantes têm, de como ela funciona e a eficiência das intervenções que eles fazem nesse funcionamento “cada nova geração de falantes dá a sua contribuição nesse processo lento e gradual de transformação – reajuste – renovação da língua”. É por conseqüência disso que hoje falamos o português brasileiro. Querer cobrar, hoje em dia, a observância dos mesmos padrões lingüísticos do passado é querer preservar ideias, mentalidades e estruturas sociais do passado.

A NP é uma tentativa de reduzir, de controlar, de domesticar os usos da língua. Ela não deixa que os falantes empreguem regras gramaticais antigas da língua e nem os deixa usar novas regras gramaticais, nascidas das necessidades atuais de expressão dos falantes, recusa a criatividade dos mesmos, seu poder de inovação. Ela não representa de maneira nenhuma, a língua realmente empregada por todos os falantes, em todos os lugares, em todas as épocas da história, o que ela representa é uma seleção arbitrária de regras, feita num determinado lugar, numa determinada época, para o uso de um restrito grupo de falantes/escreventes.

A língua viva é muito mais rica de possibilidades do que a NP, que parou no tempo e no espaço. Porém, isso não significa que as pessoas não tenham o direito de aprender a NP, ou que não precisem aprender a escrever, segundo as convenções de seu tempo. Essa norma é um elemento importante da cultura brasileira e não pode ser desprezada só porque constitui um conjunto de formas linguísticas em grande parte obsoletas. É verdade que essas formas estão restritas à língua escrita mais monitorada, mas é verdade também que são os gêneros textuais escritos mais monitorados que gozam de maior prestígio social.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O preconceito linguístico não existe na sociedade brasileira, o que existe na verdade, é preconceito social. Pois, discrimina-se alguém por ser negro, pobre, deficiente físico, homossexual, e outros. E estas atitudes são inaceitáveis, embora as mesmas ainda existam. Porém, muito mais intolerável é discriminar a pessoa por seu modo de falar. É realmente um grande absurdo acusar alguém de não saber falar a sua própria língua materna. A língua pertence a cada um de nós. Faz parte da nossa própria materialidade física, está inscrita dentro de nós. Segundo Bagno (2002, p. 23),

a língua como “essência” não existe: o que existe são seres humanos que falam línguas. A língua não é uma distração: muito pelo contrário, ela é tão concreta quanto os mesmos seres humanos, de carne e osso, que se servem dela e dos quais ela é parte integrante.

A língua deve ser considerada como uma atividade social, um trabalho empreendido conjuntamente pelos falantes. Toda vez que interagem verbalmente, através da fala e da escrita, constata-se que, quanto menos prestígio social o indivíduo tem, quanto mais baixo ele está na pirâmide das classes sociais, mais erros serão encontrados em sua língua pelos membros das classes privilegiadas. Para que haja alguma mudança nos conceitos de língua “certa” e língua “errada” é preciso que também haja, simultaneamente uma grande e radical transformação das relações sociais.

REFERÊNCIAS

BAGNO, Marcos. A norma oculta: língua e poder na sociedade brasileira. 8. ed. São Paulo: Parábola, 2009.

______________. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola, 2007.

______________. Português ou brasileiro: Um convite à pesquisa. 6. ed. São Paulo: Parábola, 2007.

______________. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 22. ed. São Paulo: Loyola, 2003.

______________; GAGNÉ, Gilles; STUBBS, Michael. Língua materna: letramento, variação & ensino. São Paulo: Parábola, 2002.

FARACO, Carlos Alberto (org.). Estrangeirismos: guerras em torno da língua. 2. ed. São Paulo: Parábola, 2002.

Rosiane Figueiredo Ferreira

Nascida na cidade de Macapá-Amapá, no dia 06/10/1965. Atualmente estou cursando o 5º semestre do curso de Letras na Universidade Vale do Acaraú-UVA-Amapá.

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